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Preenchimento: o que é e o que se sabe

O que é o preenchimento e quais materiais são usados, o que se sabe sobre o efeito, os riscos comuns e os graves, o que é o PMMA e por que seu uso foi restringido, o que a Anvisa exige e quando procurar atendimento.

O preenchimento é a injeção de um produto sob a pele para preencher sulcos ou dar volume. Vários materiais são usados. O mais estudado é o ácido hialurônico; os estudos também incluem a hidroxiapatita de cálcio, o ácido poli-L-láctico, a policaprolactona e a gordura da própria pessoa. Alguns desses produtos também são descritos como bioestimuladores. Os bioestimuladores e a toxina botulínica, outro procedimento injetável, têm páginas próprias.

O ácido hialurônico é absorvido pelo corpo aos poucos, e o efeito diminui com o tempo. Existe uma enzima, a hialuronidase, capaz de desfazê-lo, e ela é o tratamento mais usado nas complicações desse material.

Sobre o efeito, a revisão sistemática lida para esta página, de 2021, trata do sulco que vai do nariz ao canto da boca. Ela reuniu ensaios randomizados, a maioria com ácido hialurônico, e classificou como baixa a qualidade dos estudos. Neles, a melhora chegou ao máximo alguns meses depois da aplicação e foi diminuindo a partir daí. Para outras regiões do rosto, esta página não traz revisões sobre o efeito.

Os efeitos mais relatados são locais: inchaço, roxo, dor, sensibilidade ao toque, vermelhidão e pequenos caroços ou irregularidades. Nos ensaios, a maior parte foi leve e passageira. Caroços e nódulos também podem surgir tarde, às vezes anos depois, e a origem deles ainda não está bem definida. A infecção é rara nos estudos.

O risco grave é a obstrução de um vaso sanguíneo pelo produto. Sem circulação, um pedaço de pele pode morrer, o que se chama necrose. A Anvisa relata, entre os riscos graves dos preenchedores, a perda de visão, temporária ou permanente, por obstrução de um vaso, e a embolia pulmonar, que é a obstrução de um vaso do pulmão. Nos ensaios, complicações graves são raras, mas podem deixar dano permanente: numa revisão de casos publicados de perda de visão, inclusive com ácido hialurônico, poucas pessoas recuperaram a visão por completo. As revisões defendem tratamento rápido e pedem que quem aplica conheça bem a prevenção e o manejo dessas complicações.

O PMMA, ou polimetilmetacrilato, é um preenchedor permanente, e não há substância que o desfaça. Ele pode se deslocar do lugar onde foi aplicado. As complicações, como caroços inflamados que não desaparecem, chamados granulomas, podem surgir muitos anos depois, mesmo quando a aplicação foi feita por médico, e às vezes é preciso cirurgia para retirar o produto. Há também relatos de aumento do cálcio no sangue, com dano aos rins. Em 2026, o Conselho Federal de Medicina proibiu os médicos de usar o PMMA como preenchedor, com exceção do tratamento da perda de gordura do rosto e do corpo em pessoas que vivem com HIV, em serviços de alta complexidade do SUS. O Conselho Federal de Odontologia proibiu os dentistas de usá-lo com finalidade só estética.

Para a Anvisa, os preenchedores, entre eles o ácido hialurônico, a hidroxiapatita de cálcio, o ácido poli-L-láctico e o PMMA, são dispositivos médicos de risco alto ou máximo. Só podem ser vendidos com registro e devem ser usados apenas nas indicações aprovadas. A agência orienta verificar se o produto está regularizado, se o serviço é autorizado e se o profissional é qualificado, e pede que quem aplica entregue ao paciente o cartão de rastreabilidade do produto usado.

As fontes desta página não trazem dados sobre preenchimento na gravidez e na amamentação. Grávidas e mulheres que amamentam devem passar por avaliação antes. Esta página descreve o procedimento e não indica se ele serve para você. O preenchimento exige avaliação antes e profissional habilitado.

Quando procurar um dermatologista

Procure uma avaliação antes de qualquer preenchimento. Confira se o produto tem registro na Anvisa, se o serviço é autorizado e se o profissional é qualificado, como orienta a agência, e guarde o cartão de rastreabilidade do produto usado. Se já fez preenchimento antes, conte na avaliação.

Procure atendimento de urgência, sem esperar, se durante ou logo depois de um preenchimento você sentir uma dor fora do comum, se a pele perto do local ficar branca, acinzentada ou azulada, se a visão mudar ou se aparecer algum sinal de AVC, como dificuldade repentina para falar ou dormência ou fraqueza no rosto, num braço ou numa perna. Podem ser sinais de obstrução de um vaso, e as revisões pedem tratamento rápido para evitar dano permanente. Buscar atendimento imediato nesses casos é a orientação da FDA, a agência americana de medicamentos, e a perda de visão é um dos riscos graves que a Anvisa relata para os preenchedores.

Procure um dermatologista se aparecerem caroços, nódulos ou inchaço que não passam, mesmo meses ou anos depois da aplicação. Se, em vez de melhorar, o local ficar cada vez mais vermelho, quente, inchado e dolorido, ou se vier febre, procure atendimento de urgência: podem ser sinais de infecção, e no rosto eles pedem atendimento imediato.

Esta página não faz diagnóstico, não substitui a consulta, não indica tratamento e não informa dose.

Veja também

Publicado pelo Minha Pele em 02/11/2026 · versão 0.2.0.

Fontes

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  8. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.461, de 21 de maio de 2026. Proíbe o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância de preenchimento e estabelece exceção para o tratamento da lipodistrofia em pacientes vivendo com HIV/aids · 02/06/2026
  9. Conselho Federal de Odontologia. Resolução CFO-SEC-297, de 21 de julho de 2026. Dispõe sobre a vedação do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância preenchedora injetável para fins exclusivamente estéticos · 21/07/2026
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