Como melhorar minha pele
Laser e luz: o que são e o que se sabe
O que são os lasers e a luz intensa pulsada, para que a literatura os descreve e com que força de evidência, os riscos, sobretudo em peles morenas e negras, e quando procurar avaliação.
Laser e luz são procedimentos de consultório que usam a energia da luz. A luz é absorvida por um alvo da pele, como o pigmento, o sangue dos vasinhos ou a água, e o aquece, buscando poupar o tecido em volta. Uma diretriz alemã de 2022 sobre laser na pele lembra que essa energia pode ser perigosa para a pele e para os olhos.
Os lasers que miram o pigmento ou os vasos têm como alvo a melanina, o pigmento da pele, ou o sangue dos vasinhos. Os que renovam a superfície podem ser ablativos, que removem a camada de cima da pele e parte da de baixo, deixando uma ferida que se refaz, ou não ablativos, que aquecem camadas mais profundas sem romper a superfície. Os fracionados, de um tipo ou de outro, tratam a pele em partes. A luz intensa pulsada não é laser: é uma lâmpada de flash que emite, em pulsos, luz de vários comprimentos de onda, com efeitos e riscos parecidos.
Há ainda outras tecnologias de energia, como a radiofrequência e o ultrassom microfocado, estudadas para a flacidez. Numa revisão sobre a radiofrequência, a satisfação foi maior entre quem esperava uma melhora modesta.
Nas manchas de sol, uma revisão sistemática de 2025 reuniu ensaios com laser, luz intensa pulsada e outros tratamentos, e os autores pedem estudos maiores para confirmar os resultados. Na rosácea, uma revisão sistemática de 2019 classificou como baixa a moderada a certeza da evidência para laser e luz intensa pulsada.
Na cicatriz de acne, a evidência é muito baixa. Uma revisão Cochrane de 2016 achou um estudo em que o laser fracionado superou outro laser, mas concluiu que nenhum tratamento, com laser ou sem, tem apoio para ser a primeira escolha.
No envelhecimento causado pelo sol, uma revisão sistemática de 2025 reuniu estudos com lasers que renovam a superfície, peeling químico e microagulhamento associado à radiofrequência. Os estudos descrevem melhora, mas são pequenos e diferentes entre si, e a duração do efeito variou.
O melasma, que tem página própria, pede mais cautela. Uma revisão sistemática de 2022 descreve redução da mancha com a maior parte dos lasers, mas mede o curto prazo, não a volta. E a mancha tende a voltar: numa revisão brasileira, poucos pacientes de uma série mantinham boa parte da melhora quatro meses depois de um laser que remove a superfície, e o creme clareador usado junto pesou na manutenção. A diretriz alemã não recomenda esses lasers no melasma, alerta para piora e desaconselha tratar no verão, quando o sol pode trazer a mancha de volta. Um consenso internacional de 2025 reserva o laser para os casos que não responderam a outros tratamentos.
As fontes descrevem queimadura, por exemplo por falha no resfriamento da pele, vermelhidão que demora a passar, cicatriz quando o laser vai fundo demais e manchas escuras ou claras depois do tratamento; as claras podem ser permanentes. Em peles morenas e negras, o risco dessas manchas é maior, e faltam bons estudos nas peles mais escuras; por isso a avaliação antes pesa mais.
Os olhos correm risco. Uma revisão de relatos de caso descreve dor forte, perda passageira da visão e lesões como a catarata, e em mais da metade a proteção dos olhos faltou ou foi retirada. Os autores a consideram essencial, mas não infalível.
A diretriz alemã recomenda evitar o sol antes e depois e não tratar pele muito bronzeada, pelo risco de manchas claras; a proteção solar está na página sobre protetor solar. Quem toma ou tomou há pouco isotretinoína, um medicamento oral tratado na página sobre retinoides, deve contar isso na avaliação: um painel de especialistas não achou evidência suficiente para adiar vários procedimentos, inclusive lasers fracionados, mas não recomenda o laser que remove toda a superfície durante o uso. Na gravidez, o uso estético não foi estudado, e a revisão sobre o tema, feita com relatos de caso, aponta falta de dados de segurança. Grávidas e mulheres que amamentam devem passar por avaliação antes.
Uma mancha ou pinta precisa ser examinada antes de qualquer laser. A diretriz alemã explica que tratar com laser uma lesão sem diagnóstico pode atrasar ou dificultar a descoberta de um câncer de pele, e não recomenda laser em pintas.
Pelas regras da Anvisa, os equipamentos usados para fins estéticos são dispositivos médicos e precisam estar regularizados. O procedimento exige avaliação antes e profissional habilitado, e a diretriz alemã pede conversa franca sobre expectativas: a mancha pode não sair por inteiro e pode voltar.
Quando procurar um dermatologista
Procure uma avaliação antes de qualquer procedimento com laser ou luz. Conte se você usa ou usou há pouco tempo isotretinoína, se a pele está bronzeada e se está grávida ou amamentando.
Procure um dermatologista para examinar qualquer mancha ou pinta antes de tratá-la com laser. A diretriz alemã pede que a possibilidade de uma lesão maligna seja afastada antes, porque o laser pode atrasar esse diagnóstico.
Procure também se, depois de um procedimento com laser ou luz, aparecer bolha, ferida, mancha ou dor que não melhora, antes de repetir o procedimento. Queimadura, cicatriz e manchas escuras ou claras estão entre os efeitos descritos, e algumas manchas claras podem ser permanentes.
Procure atendimento médico se sentir dor no olho, notar vermelhidão no olho ou perceber alteração na visão depois de laser ou luz, mesmo que passe. Esses sintomas aparecem nos relatos de lesão dos olhos por laser.
Esta página não faz diagnóstico, não substitui a consulta, não indica tratamento e não informa dose.
Veja também
- Peeling: o que é e o que se sabe
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Publicado pelo Minha Pele em 02/11/2026 · versão 0.1.0.
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