minhapele.com
← Dúvidas sobre a pele

Como melhorar minha pele

Peeling: o que é e o que se sabe

O que é o peeling químico, seus níveis de profundidade e a diferença para o ácido de uso em casa, para que a literatura o descreve e com que força de evidência, os riscos, sobretudo em peles morenas e negras, e quando procurar avaliação.

O peeling químico é a aplicação de uma substância na pele para provocar uma descamação controlada. O nome vem do inglês "to peel", que quer dizer descascar. Uma revisão americana o descreve como uma lesão dirigida da pele, provocada de propósito por essas substâncias.

As fontes separam os peelings pela profundidade que atingem. O muito superficial remove só a camada mais externa da pele. O superficial fica na epiderme, a camada de cima. O médio atravessa a epiderme e chega à parte mais alta da derme, a camada de baixo. O profundo vai até o meio da derme. Quanto mais fundo, mais longa a descamação e maior o risco de cicatriz e de mudança na cor da pele. O peeling de fenol, o mais profundo, é objeto de restrição da Anvisa e de disputa entre órgãos.

O peeling de consultório não é o mesmo que o ácido de uso em casa. Um parecer científico europeu de 2000 já separava os dois: o produto vendido ao consumidor vem com orientação de proteção solar diária, e o de uso profissional é feito para aplicação breve, seguida de enxágue cuidadoso. No Brasil, o nome também aparece em cosméticos: o que a Anvisa chama de esfoliante "peeling" químico é um cosmético de grau 2. Os produtos de uso em casa estão na página sobre ácidos esfoliantes.

As revisões descrevem o peeling para manchas, acne e cicatrizes de acne e sinais do envelhecimento causado pelo sol. Os estudos, em geral, são pequenos, e a evidência é baixa em vários desses usos.

Na acne leve a moderada, uma revisão sistemática de 2018 reuniu 12 ensaios. Os peelings comparados tiveram resultados parecidos entre si e foram bem tolerados, mas a qualidade dos estudos foi de muito baixa a moderada, e os autores não conseguiram dizer se algum supera os outros. Na cicatriz de acne, uma revisão Cochrane de 2016 concluiu que falta evidência de boa qualidade para qualquer tratamento e que nenhum pode ser recomendado como primeira escolha. Nos estudos reunidos, o peeling teve melhora parecida com a do laser fracionado e a do microagulhamento.

Nas manchas, o peeling está entre as opções descritas para as que ficam depois de uma inflamação, como uma espinha, e entre os procedimentos estudados no melasma, que tem página própria. Para as manchas de sol, uma revisão sistemática de 2025 o incluiu entre os tratamentos estudados e pede ensaios maiores. No envelhecimento causado pelo sol, outra revisão de 2025 reuniu estudos de peeling pequenos e diferentes entre si, com efeito de duração variável.

Os efeitos mais comuns são ardor na aplicação, vermelhidão e descamação. Entre as complicações descritas estão manchas escuras ou claras depois do procedimento, cicatriz, mais frequente nos peelings médios e profundos, e infecção por bactéria ou fungo, relatada depois do peeling profundo. O histórico de herpes, como o herpes labial, está entre os pontos que as fontes pedem para avaliar antes.

Nas peles morenas, pardas e negras, o risco de manchas depois do peeling pesa mais. A revisão sobre acne considera os peelings, sobretudo os médios e profundos, inadequados para as peles mais escuras, e uma revisão sobre procedimentos nessas peles pede que os médios e profundos sejam feitos com cautela e só por quem tem experiência com elas. Revisões sobre as manchas que ficam depois de uma inflamação registram que o peeling pode piorá-las. A maior parte dos estudos foi feita em pele mais clara.

Algumas situações pedem conversa antes. Quem usa ou usou há pouco tempo isotretinoína, um medicamento por via oral que aparece na página sobre retinoides, deve contar isso na avaliação. Um painel de especialistas americano não encontrou evidência suficiente para adiar o peeling superficial nesses casos; a conclusão vale só para ele. Uma revisão brasileira orienta não aplicar o peeling em pele irritada ou inflamada. Na gravidez e na amamentação, faltam estudos, e as fontes divergem. Quem está grávida ou amamentando deve passar por avaliação antes.

Depois do peeling, a pele descama por um tempo que cresce com a profundidade. A revisão brasileira orienta manter a pele hidratada e protegida do sol durante toda essa fase. Como escolher e aplicar o protetor está na página sobre protetor solar.

O peeling de consultório exige avaliação antes e profissional habilitado. A Anvisa orienta conferir se o local tem licença sanitária, se os produtos usados são autorizados por ela e se quem faz é habilitado para o serviço que oferece. Esta página não indica peeling para o seu caso.

Quando procurar um dermatologista

Procure uma avaliação antes de qualquer peeling. Conte se você usa ou usou há pouco tempo isotretinoína, se tem herpes de repetição, como o herpes labial, se a pele está irritada e se está grávida ou amamentando. Em pele morena, parda ou negra, essa avaliação pesa ainda mais.

Procure um dermatologista se, depois do peeling, aparecer mancha, bolha, ferida, dor ou vermelhidão que não melhora, e antes de repetir o procedimento. Manchas escuras ou claras e cicatriz estão entre as complicações descritas, e uma revisão brasileira trata a vermelhidão que dura mais de três semanas como sinal de cicatriz em formação.

Se, em vez de melhorar, a área tratada ficar cada vez mais vermelha, quente, inchada e dolorida, ou se vier febre, procure atendimento de urgência: podem ser sinais de infecção, e no rosto eles pedem atendimento imediato. Infecção está entre as complicações descritas depois do peeling, e as fontes pedem que ela seja tratada logo.

Esta página não faz diagnóstico, não substitui a consulta, não indica tratamento e não informa dose.

Veja também

Publicado pelo Minha Pele em 02/11/2026 · versão 0.2.0.

Fontes

  1. Yokomizo VMF, Benemond TMH, Chisaki C, Benemond PH. Peelings químicos: revisão e aplicação prática. Surgical & Cosmetic Dermatology, 2013;5(1):58-68
  2. Soleymani T, Lanoue J, Rahman Z. A practical approach to chemical peels: a review of fundamentals and step-by-step algorithmic protocol for treatment. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, 2018;11(8):21-28
  3. Chen X, Wang S, Yang M, Li L. Chemical peels for acne vulgaris: a systematic review of randomised controlled trials. BMJ Open, 2018;8(4):e019607
  4. Abdel Hay R, Shalaby K, Zaher H, et al. Interventions for acne scars. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2016;(4):CD011946 · 03/04/2016
  5. Karanasios G, Wong ZY, Limbu S, Faderani R, Kanapathy M, Mosahebi A. Comparative efficacy and safety of laser versus chemical skin peeling in skin rejuvenation: a systematic review and meta-analysis. Plastic and Reconstructive Surgery, 2026;158(2):263-272 · 16/12/2025
  6. Spring LK, Krakowski AC, Alam M, et al. Isotretinoin and timing of procedural interventions: a systematic review with consensus recommendations. JAMA Dermatology, 2017;153(8):802-809 · 28/06/2017
  7. Desai M, Gill J, Luke J. Cosmetic procedures in patients with skin of color: clinical pearls and pitfalls. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, 2023;16(3):37-40 · 01/03/2023
  8. Scientific Committee on Cosmetic Products and Non-Food Products intended for Consumers (SCCNFP). Position paper concerning the safety of alpha-hydroxy acids. SCCNFP/0370/00, final · 28/06/2000
  9. Anvisa. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 907, de 19 de setembro de 2024 (produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes: definição, classificação e rotulagem; revogou a RDC nº 752/2022) · 23/09/2024
  10. Anvisa. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 949/2024 (substitui o Anexo I da RDC nº 907/2024: listas de produtos de grau 1 e grau 2; vigência adiada para abril de 2025 pela RDC nº 966/2025; adequação dos produtos já regularizados até 2 de janeiro de 2030) · 16/12/2024
  11. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução-RE nº 3.600, de 26 de setembro de 2024 (proíbe produtos à base de fenol em procedimentos de saúde em geral ou estéticos), e página Fenol da campanha Estética com segurança, modificada em 27/04/2026 · 27/09/2024
  12. Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.458, de 16 de abril de 2026. Normatiza o uso do fenol para fins médicos visando garantir a segurança do paciente. DOU de 15/05/2026, Seção 1, p. 224 · 15/05/2026
  13. Kaufman BP, Aman T, Alexis AF. Postinflammatory hyperpigmentation: epidemiology, clinical presentation, pathogenesis and treatment. American Journal of Clinical Dermatology, 2018;19(4):489-503 · 08/12/2017
  14. Ocampo-Candiani J, Alas-Carbajal R, Bonifaz-Araujo JF, et al. Latin American consensus on the treatment of melasma. International Journal of Dermatology, 2025;64(3):499-512 · 01/03/2025
  15. Mardani G, Nasiri MJ, Namazi N, Farshchian M, Abdollahimajd F. Treatment of solar lentigines: a systematic review of clinical trials. Journal of Cosmetic Dermatology, 2025;24(4):e70133 · 27/03/2025
  16. Leonforte F, Pergolizzi T, Nicosia V, et al. Preventive and therapeutic interventions in solar elastosis and photoaging: a comprehensive systematic review. Biomedicines, 2025;13(11):2758 · 11/11/2025
  17. Anvery N, Christensen RE, Dirr MA. Management of post-inflammatory hyperpigmentation in skin of color: a short review. Journal of Cosmetic Dermatology, 2022;21(5):1837-1840 · 15/03/2022
  18. Mar K, Khalid B, Maazi M, Ahmed R, Wang OJE, Khosravi-Hafshejani T. Treatment of post-inflammatory hyperpigmentation in skin of colour: a systematic review. Journal of Cutaneous Medicine and Surgery, 2024;28(5):473-480 · 29/07/2024
  19. Trivedi MK, Kroumpouzos G, Murase JE. A review of the safety of cosmetic procedures during pregnancy and lactation. International Journal of Women's Dermatology, 2017;3(1):6-10 · 27/02/2017
  20. Ly S, Kamal K, Manjaly P, Barbieri JS, Mostaghimi A. Treatment of acne vulgaris during pregnancy and lactation: a narrative review. Dermatology and Therapy, 2023;13(1):115-130 · 29/11/2022
  21. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procedimento seguro. Página da campanha Estética com segurança, publicada em 27/11/2024 e modificada em 27/04/2026 · 27/11/2024
  22. nidirect, governo da Irlanda do Norte, com conteúdo adaptado do NHS. Cellulitis · 06/05/2026